As Crônicas do Metal Nacional – Texto II

abril 11, 2009

AS CRÔNICAS DO METAL NACIONAL

AS BANDAS INTERNACIONAIS SÃO SUPERVALORIZADAS?
Texto II – Ano 2009

Divulgação

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Todos sabem que no Brasil existem grandes bandas de Heavy Metal. Nesse país onde o samba e o futebol exercem soberania sobre os veículos de comunicação mais populares, o nosso país esta cada vez mais se consolidando como local de importantes bandas de rock pesado. Desde nomes internacionalmente conhecidos com Sepultura e Angra até grupos em ascensão como o Hibria, o metal nacional apresenta muita qualidade e trabalho sério.

Entretanto, qual a razão de tantas críticas e desvalorização ao trabalho das importantes bandas nacionais? Por que cada vez mais, os fãs se tornam mais radicais e apenas valorizam as bandas estrangeiras? Foge da racionalidade do ser humano, alguém se queixar de pagar R$ 20,00 (vinte reais) na meia-entrada do show da banda brasileira e “fazer o diabo” para assistir o Kiss pelo absurdo de R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais) na “pista vip”. Os organizadores de concertos internacionais devem estar radiantes por lucrarem tanto à custa da mentalidade patética do público nacional. É uma pena.

Um dos argumentos desses “babões” das bandas estrangeiras diz respeito ao denominado nacionalismo musical, ou seja, a origem territorial da banda é importante para gostar dela. Entretanto, este fenômeno ocorre ao contrário no Brasil, há certa pré-disposição de denegrir as bandas nacionais e exaltar as internacionais.

Seja dito de passagem as pessoas tem o direito de gostar do que elas quiserem. Entretanto, essa extrema má vontade com as bandas brasileiras, não é uma questão de gosto, trata-se de uma “modinha de orkut” que virou hábito falar mal gratuitamente dos artistas por diversão ou para espalhar a discórdia – cansei de ver gente denegrindo o Angra e depois encontrá-las no show da banda tirando fotos ou pedindo autógrafos -, ou seja, a imaturidade e o desrespeito aos músicos é regra atualmente. Estas são as pessoas que levam cusparadas do Alexi Laiho e dizem “Meu, o Alexi Laiho cuspiu em mim, nunca mais vou lavar essa roupa”¹.

Em recente entrevista ao site Novo Metal ², o vocalista do Angra, Edu Falaschi declarou o seguinte “O Brasil é um país de terceiro mundo, já é quase impossível as bandas viverem de música, tem que trabalhar com outras coisas. Não tem lugares apropriados para tocar metal, quase não existem profissionais do ramo, a mídia no Brasil é muito mais POP do que outros países, então as dificuldades são mil vezes maiores que na Europa/EUA/Japão, etc. Eu falo isso, com propriedade, pois viajei o mundo inteiro fazendo Heavy Metal e sei como é muito mais organizada, profissional e unida a cena Heavy Metal nos outros países. Por exemplo, a Finlândia, que é um país inóspito, distante de tudo, com uma população infinitamente menor que o Brasil, tem um circuito maravilhoso pras bandas de metal. E várias delas se destacaram mundialmente. Lá, o Nightwish toca em estádios, são POP, por quê? Porque desde o início o público prestigia e dá prioridade as bandas deles, as bandas de seu próprio país. Eu tinha um sonho que poderíamos ter uma cena Brasileira forte e EXPORTANDO dezenas de bandas. Mas cada vez mais me decepciono mais com o que acontece aqui em relação à ruindade de várias pessoas, que se divertem com a tristeza alheia”.

A sua declaração é um exemplo claro de como tudo funciona por aqui. Bandas grandes são, muitas vezes, obrigadas a tocar em lugares amadores, sem nenhuma condição de realizar um espetáculo para o seu público. Além disso, cita a consciência do público de países como a Finlândia que prestigia e fortalece as suas bandas, valorizando o surgimento de novos nomes.

Evidentemente, países com essa mentalidade, exportam grupos importantes para o mundo todo, vide a já mencionada Finlândia e Alemanha, com inúmeras bandas de sucesso pelo mundo. Enquanto no nosso país, acontece exatamente o contrário.

É curioso que este sujeito que difama as bandas nacionais, sonha em ser músico, aprende a tocar um instrumento e, posteriormente, monta uma banda para tentar seguir carreira profissionalmente. Porém, ao desprezar as bandas já mencionadas está subvertendo o cenário nacional de Heavy Metal e, consequentemente, sua banda não irá conseguir nenhum espaço em virtude dos produtores de rock pesado no país não acreditarem nas bandas brasileiras. Infelizmente, em função desta mentalidade tão sofrível e pobre dessas pessoas é criado um círculo vicioso, o qual só prejudica todos nós que gostamos da música pesada.

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Indubitavelmente, as bandas brasileiras não devem nada as estrangeiras. Muito pelo contrário, se observarmos o metal melódico ou power metal, como alguns preferem, o Angra, principalmente, apresenta um trabalho muito superior ao que escutamos nas bandas internacionais, como por exemplo o Helloween.  Aprecio o trabalho dos alemães, porém, não inovam nas suas composições há quase uma década. Ao passo que o Angra, sempre foi considerado uma banda extremamente técnica e criativa, renovando suas composições a cada álbum e evoluindo musicalmente sem medo de experimentar novos sons. Não é necessário ser um expert em heavy metal, é só ouvir cada álbum da banda e notar como a banda fez experimentações sem perder a essência.

Portanto, a referida supervalorização das bandas internacionais é realidade em nosso país. Lamentavelmente, a atitude da maioria das pessoas de denegrir os grupos nacionais e exaltar os internacionais, além de ser irracional, culmina em desvalorizar uma cultura tão rica quanto à do nosso país.

Citações:

¹http://whiplash.net/materias/shows/001172-childrenofbodom.html

²http://www.novometal.com/entrevistas/exibir.php?id=253

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