As Crônicas do Metal Nacional – Texto I

fevereiro 20, 2009

AS CRÔNICAS DO METAL NACIONAL

PRÓLOGO: 2009 – O ANO DA TRAGÉDIA OU DA REDENÇÃO?
Texto I – Ano 2009

O ano é 2004. Talvez o ápice da história recente do heavy metal nacional. Angra e Shaaman disputando o primeiro lugar na preferência dos fãs brasileiros. Declarações polêmicas dos dois lados, músicos fazendo turnês extensas e exaustivas e relativo sucesso internacional.

Porém, infelizmente, o panorama do metal nacional perdeu popularidade a partir do fim de 2006, por diversas razões, das quais não irei entrar no mérito.

Após cinco anos, o Heavy Metal nacional tenta se reerguer. O cenário atualmente é o seguinte:

angraAngra
O Angra cercado de indefinições não mede esforços para se desvencilhar do seu antigo empresário, o qual detêm direitos sobre o nome da banda. Como se não fosse o suficiente, o (ex) baterista Aquiles Priester afirmou publicamente, que Rafael Bittencourt teria o agredido no show realizado em São Caetano, no ano de 2007, demonstrando tamanha ingratidão e desrespeito aos fãs e parceiros de banda por tratar de assuntos restritos apenas a estes – o que “acidentalmente” divulgou o seu outro grupo, o Hangar. Lamentável.

Entretanto, aparentemente as coisas estão se resolvendo legalmente e veremos o Angra tocando novamente em maio. Possivelmente com outro baterista.

shamanShaman
Apesar da competência do último disco “Immortal”, lançado em 2007, a nova formação do Shaman não é tão carismática quanto à anterior. Infelizmente, a banda não usufruir do respaldo que tinha anteriormente, pois, grande parte dos fãs não acompanham mais a banda. Suponho que isso ocorreu, em razão, de serem admiradores da carreira de Andre Matos.

Mas nem tudo está perdido. A banda estará em turnê de março a maio pela Europa acompanhada pela orquestra “Senfoniksema Orchestra” da Turquia com mais de 30 músicos que acompanharão a banda em vários shows. Realmente a banda merece aplausos pela iniciativa.

tn_9648andre-matos-bandawebAndre Matos
O vocalista, agora ex-Viper, ex-Angra, ex-Shaaman, está em carreira solo desde 2006, lançou o álbum “Time To Be Free” no ano retrasado. Bem aceito pela crítica a obra representa a síntese da carreira do cantor. Atualmente sua banda está excursionando pela Europa.

Sepultura
Pela primeira vez sem nenhum dos irmãos Cavalera, a banda lança “A-lex”. Baseado na clássica obra de Anthony Burgess, “Laranja Mecânica”, o álbum é o sucessor do ótimo “Dante XXI”. Mas o grupo é visto com maior desconfiança, após a saída de Igor Cavalera e as recentes declarações do excêntrico Max Cavalera. Essencialmente, o antigo vocalista afirma que a nova formação tem apenas o nome, sendo que o “verdadeiro Sepultura” consiste nos irmãos Cavalera.

Almah
A banda de Edu Falaschi está em ascensão com o novo lançamento “Fragile Equality”. A crítica realmente elogiou o disco, inclusive aparecendo no topo em listas de melhores lançamentos de 2008.
Edu Falaschi e sua turma devem excursionar pelo país até a tão esperada volta do Angra.

Hangar
Malgrado discordar inteiramente das atitudes de Aquiles Priester em face de seus parceiros de banda (Angra) e seus fãs, que sempre o respeitaram, tentarei isolar os fatos para não resultar em um silogismo desnecessário.
A banda Hangar lançou o chamado “The Reason Of Your Conviction” no ano de 2007. Seja dito de passagem, trata-se de um bom álbum. Entretanto, recentemente o vocalista Nando Fernandes resolveu deixar a banda, a propósito, com uma declaração muito respeitosa. Atualmente a banda trabalha em um próximo álbum.

Conclusão
Definitivamente aposto que este ano será melhor para as nossas estimadas bandas nacionais. Fatos como a (tão sonhada) volta do Angra com muitas novidades, o Sepultura tentando se afirmar sem os irmãos Cavaleras realizando muitos shows, talvez até o surgimento de novas bandas e a consolidação de alguns nomes já conhecidos podem fazer o metal tupiniquim reviver seus dias de glória. Um pouco de otimismo neste cenário atual não é prejudicial a ninguém.


Almah (Santo André, 13.02.09)

fevereiro 14, 2009

Em uma fria noite na cidade de Santo André,  Edu Falaschi e companhia fizeram um espetáculo digno de reverência. O primeiro show do ano para os fãs de heavy metal no ABC não decepcionou. O Almah precisou apenas de 1 hora e 30 minutos para se consolidar como uma das bandas preferidas de todos os presentes.

almahO SESC está cada vez mais se firmando como local obrigatório para as bandas de metal se apresentarem. Desde 2007, já subiram aos palcos: Angra, Andre Matos, Almah, Hangar, Mindflow, Sepultura, Shaman entre outros. São destinados dois lugares para eventos, o espaço para shows e o teatro. Este último merece a nossa atenção. A capacidade dele é um pouco mais de 300 pessoas, seu formato é em degraus – o que facilita muito a visualização -, além das cadeiras serem bem confortáveis. O palco tem um tamanho razoável, sendo o suficiente para qualquer banda de até 06 integrantes se apresentar. Até mesmo Edu Falaschi comentou durante o show, que o SESC Santo André é um dos melhores lugares para as bandas se apresentarem. Enfim, o local é extremamente confortável e intimista.

almahA apresentação estava inicialmente programada para começar às 21h00min, porém, houve um atraso de aproximadamente 30 minutos. O teatro estava realmente cheio, com sua capacidade esgotada. O show iniciou com uma introdução tradicional das bandas de power metal deixando os fãs extasiados, para finalmente a banda tocar os primeiros riffs da faixa “Birds of Prey” do novo álbum “Fragile Equality”. Logo em seguida, “Take Back Your Spell” do début foi bem executada, funcionando muito bem ao vivo.

O desempenho da banda é  ótimo. Os guitarristas, Marcelo Barbosa e Paulo Schroeber são entrosados, só pecam pela pouca movimentação no palco. Marcelo Moreira é preciso na bateria, esbanjando feeling. O também baixista do Angra, Felipe Andreoli é extremamente técnico e muito querido pela maioria dos fãs.

Ainda foram tocadas “Children of Lies”, “Magic Flame”, “Fragile Equality”, as quais empolgaram a platéia. Aliás, ao contrário de muitas bandas de metal, o set-list apresentado foi bem escolhido, mesclando as melhores músicas do primeiro álbum com as mais novas, além de incluir duas composições de Edu Falaschi inclusas no catálogo do Angra. Entretanto, eles poderiam ter incluído “Spread Your Fire” do suntuoso “Temple os Shadows” ou até mesmo “The Course of Nature” do “Aurora Consurgens” – músicas de Edu Falaschi -, que certamente iriam matar um pouco da saudade das apresentações do Angra.

Golden Empire” e a balada preferida das fãs do Angra “Bleeding Heart” encerraram a primeira metade do espetáculo. Edu Falaschi ainda comentou a sua polêmica entrevista que disse sua opinião sobre os “orkurteiros de plantão”. Esclareceu que jamais se referiu aos seus fãs, mas sim, as pessoas de má índole que geram desunião no cenário do heavy metal nacional.

Edu Falaschi estava cantando muito bem. Seja dito de passagem, há algum tempo acompanhado a carreira do vocalista e nesses sete shows que estive presente – seja pelo Angra ou pelo Almah -, ele nunca cantou mal. As pessoas precisam entender que o intuito do Show não é ser uma nova audição do disco. Entendo que mudou na voz dele foi seu desempenho nos tons mais altos, o que, definitivamente, ocorre com todos os vocalistas com o passar do tempo. Porém, ele se adaptou bem e demonstra muita competência. Posso afirmar com absoluta certeza, que Edu Falaschi cantou muito bem durante todo o show, com imensa confiança e dominou completamente o público.

Beyond Tomorrow”, “Torn”, “Breathe” e “Forgotten Land” foram bem aceitas pelo público. Esta última balada foi tocada no teclado por Edu Falaschi, sendo um dos destaques da apresentação. “Scary Zone” e “King” foram cantadas avidamente pelos fãs, sendo duas canções muito populares do primeiro álbum.  Ao passo que “Nova Era” demonstra a paixão dos fãs do Angra pela banda. É impressionante a energia desta música ao vivo e como todos esperam ansiosamente por ela. Foi, indubitavelmente, o auge do espetáculo.

Para encerrar, Edu Falaschi anuncia uma das melhores do “Fragile Equality”, “You’ll Understand”. Brilhante execução da banda, perfeita para o desfecho. O carismático vocalista ainda agradeceu o público por comparecer e prometeu voltar com o Angra em maio. Grandiosa apresentação, uma verdadeira aula de heavy metal.

Galeria de Fotos


Adagio – Archangels In Black

fevereiro 7, 2009

Antes de tudo irei resenhar esse novo álbum do Adagio sem nenhuma comparação com os anteriores. Os fãs de metal precisam entender que as bandas procuram adequar sua sonoridade de acordo com a evolução dos músicos, alterações na formação e até necessidade de mercado (caso que não acredito ser o do Adagio).


Adagio-AIBOs apreciadores do interessante metal progressivo que a banda fazia anteriormente certamente irão ficar surpresos. Essencialmente, este álbum é a mescla pesada entre metal progressivo, melódico e gótico. Sim, gótico. Caracterizado por seus teclados soturnos típicos, tonalidade depressiva e vocal gutural, se torna bastante presente neste álbum.

A respeito do novo vocalista da banda, o finlandês Christian Palin, visto com desconfiança por alguns fãs em função de seus trabalhos anteriores, definitivamente, provou que é um talentoso vocalista. Seu desempenho é ótimo. Tem um estilo singular, extremamente versátil variando desde o melódico até o gutural. Porém não fez um trabalho realmente brilhante, talvez pelas linhas vocais pouco inspiradas de algumas músicas.

“Archangels in Black” possui uma temática sombria. As letras tratam de temas obscuros como vampirismo, por exemplo. O guitarrista da banda e co-produtor do álbum Stéphan Forte afirmou no site oficial da banda o seguinte sobre o conceito do álbum: “Darkness is a concept with many branches, often misunderstood from outside, but elemental for some kind” [Escuridão é um conceito com muitos ramos, muitas vezes mal compreendida a partir de fora, mas por algum tipo elementar].

Há algum tempo não observava uma capa que demonstrasse exatamente a proposta das músicas. Podemos notar três anjos sofrendo e se contorcendo banhados de sangue com algumas dezenas de aves de rapina cercando-os. O artista responsável pelo design gráfico se chama Guilherme Sevens. Realmente muito interessante.
Vamos para o que realmente interessa… as novas músicas da banda. Suponho que a melhor maneira de resenhar um disco é o tradicional música por música. Confira abaixo a relação das músicas e a minha opinião sobre elas:

01 – Vamphyri (04:27): A faixa mais pesada da obra. Seus riffs iniciais estabelecem a atmosfera soturna deste trabalho. Contêm todos aqueles elementos que caracterizam as faixas de abertura das bandas de metal, principalmente melódico, como a rapidez e um refrão bem marcante. Os vocais beiram o gutural, extremamente agressivos flertando com a melodia. Poderia a priori ser single. Excelente faixa.

02 – The Astral Pathway (05:04): Como o título sugere a banda experimenta um tema místico nesta música mais cadenciada, porém ainda rápida. Trata-se de uma boa faixa, com solo inspirado e teclados bem executados, porém, não é uma das melhores do álbum.

03 – Fear Circus (03:59): Foi a escolhida para o clipe promocional da banda. O vídeo é uma conjunção performance da banda e cenário virtual típico de algumas bandas de power metal (Hammerfall, por exemplo), entretanto, gostei dele. Saindo um pouco do tópico, não consigo entender algumas bandas que gravam clipes tão simplórios e não criativos com apenas a sua performance em playback. Voltando a “Fear Circus”, considero a escolha da música no mínimo equivocada para o clipe, pois, não é comercialmente adequada, ou seja, uma balada, nem transmite o clima sombrio do disco.

04 – Undead (04:41): Faixa cadenciada com um belo solo de Stéphan. Seria mediana se não fosse pela utilização dos vocais guturais contrastando com os mais tradicionais.

05 – Archangels In Black (05:37): Como de costume, a tradicional faixa-título. “Archangels In Black” não é menos do que grandiosa. Teclados que expõe requinte, riffs pesados e densos, vocais angustiados e refrão poderoso. Sintetiza bem o álbum, possui todos os elementos dele, com exceção dos vocais guturais. Magnificente.

06 – The Fifth Ankh (04:43): Genericamente “The Fifth Ankh” é bem agressiva, sombria e enigmática. Infelizmente o Adagio investiu em uma estrutura padrão para algumas músicas, definitivamente, houve certa limitação nas experimentações. Malgrado a faixa é ótima.

07 – Codex Oscura (09:08): Faixa bem cadenciada. Traz a oposição entre riffs pesados e um trecho mais suave e melancólico estruturado pelo teclado seguido de um solo. Não obstante os seus nove minutos, não a considero como uma faixa grandiosa ou épica, porém, é inegável que é distinta.

08 – Twilight At Dawn (06:24): Assim como “Vamphyri” é uma excelente faixa. Rápida, extrema e suntuosa, definitivamente, uma das mais interessantes de “Archangels In Black”. Considero as canções rápidas do Adagio sempre empolgantes, questiono a razão da banda não ter explorado mais esse estilo no referido álbum.

09 – Getsu Senshi (03:42): Destoante das outras faixas, contudo, prende a atenção de quem ouve com o seu belo refrão. “Getsu Senshi” me lembra algumas músicas do Sonata Arctica, principalmente os teclados. A única que não gostei, talvez porque se desviou da temática do disco.

Portanto “Archangels In Black” não é a revolução musical, principalmente no metal melódico, da qual os críticos tanto anseiam. Consiste em um álbum diferente do que a banda anteriormente produziu, propondo algo novo na história do grupo. Os músicos mais uma vez fundamentam o seu papel como o principal banda do gênero da França.

Nota: 7,6/10

Formação atual:

Guitarras – Stéphan Forté
Teclados – Kevin Codfert
Baixo – Franck Hermanny
Bateria – Eric Lebailly
Vocal – Christian Palin

Masterização: Björn Engelmann (RAMMSTEIN, MESHUGGAH)

Mais informações:

Site Official: www.adagio-online.com/
MySpace: www.myspace.com/adagioofficial

Videoclipe de “Fear Circus”


Novidades

fevereiro 6, 2009

Com o intuito de acalmar os ânimos dos milhões de ávidos leitores do Blog vou anunciar algumas novidades. 😀

Semana que vem teremos a primeira cobertura exclusiva de um incrível evento. O Show que vai parar Santo André acontece no SESC às 21 horas. Sim, meus amigos, Edu Falaschi e sua turma do Almah, nos honrarão com suas ilustres presenças. Suponho que no mais tardar segunda-feira dia 16/02, o 1º review interpretativo jornalístico imparcial 😀 da história do Blog Metal Play vai ao ar.

Neste Blog as novidades não param. Nos próximos dias serão publicadas mais algumas resenhas de lançamentos interessantes, como os novos álbuns do Adagio e Sepultura, além disso, talvez uma nova seção será inaugurada este mês.

Take It Easy my friends, muitas novidades ainda estão por vir…

Até a próxima,

Vinicius Oliveira


Edguy – Tinnitus Sanctus

fevereiro 6, 2009

Em “Rocket Ride”, o Edguy consolidou o seu novo estilo de composição, isto é, unir o tradicional power metal, hard rock oitentista e pitadas de humor sarcástico nas letras. Apesar do desprezo de alguns fãs pelo álbum, considero como o melhor (e mais engraçado) da banda. Ao passo que “Tinnitus Sanctus” apresenta uma sonoridade mais pesada – e com todos os elementos do antecessor -, porém, semelhante ao que foi proposto no “The Scarecrow” do Avantasia.

edguy_tinnitusSem a clássica introdução épica utilizada por todas as bandas de power metal do universo, a primeira faixa é uma das mais pesadas da carreira do grupo. “Ministry Of Saints” (primeiro single) tem os melhores riffs e refrões, além da atuação inspirada de Tobias Sammet. O videoclipe dela também é interessante, apesar de não ser bem humorado. Infelizmente abdicando da grande característica da banda.

Os fãs mais conservadores da banda, certamente, irão apreciar o sarcasmo presente em “Sex Fire Religion” e “The Pride Of Creation”. Esta consiste no power metal bem executado e repleto de humor dos álbuns mais antigos, enquanto aquela é estruturada num competente hard rock. “Nine Lives” nos remete a tonalidade do auto-biográfico “The Scarecrow”.

Ao lado de “Ministry Of Saints” considero “Wake Up Dreaming Black” e “Dragonfly” as melhores do álbum. Estas músicas são as que mostram maior qualidade dessa “nova” proposta do Edguy. Os riffs pesados combinam bastante com o lirismo proposto por Sammet nas composições, principalmente nesta última, que apresenta alguns elementos mais épicos.

“Thorn Without A Rose” é uma semi-balada que destoa do resto do álbum, entretanto, longe de ser das mais belas produzidas pela banda. “9-2-9” e “Dead or Rock” não chegam a impressionar com suas influências hard rock. “Speedhoven” apresenta aproximação com os primeiros trabalhos do Avantasia, sendo uma ótima música.

Destaque merece “Aren’t You A Little Pervert Too”, em razão, de indiscutivelmente, ser extremamente original. Seu humor é bastante ousado e sua sonoridade é algo como country e blues rock com o vocal irônico de Tobias Sammet.

Antes de seu lançamento, o carismático líder do grupo declarou que este álbum seria o responsável pelo ingresso da banda ao hall da fama, ao lado de Led Zepelin, Black Sabbath e AC/DC. Trata-se de mais um bom álbum, porém, não será “Tinnitus Sanctus” que irá fazer o Edguy ecoar pela eternidade.

Nota: 8.0/10

2008 – Nuclear Blast
Faixas:
01. Ministry Of Saints
02. Sex Fire Religion
03. The Pride Of Creation
04. Nine Lives
05. Wake Up Dreaming Black
06. Dragonfly
07. Thorn Without A Rose
08. 9-2-9
09. Speedhoven
10. Dead Or Rock
11. Aren’t You A Little Pervert Too

Mais Informações:
Site Oficial: http://www.edguy.net
MySpace: http://www.myspace.com/edguy
Fan Site brasileiro: http://www.edguy.com.br

Videoclipe de “Ministry Of Saints”


Almah – Fragile Equality

fevereiro 4, 2009

O Almah surgiu em função vontade do carismático cantor do Angra, Edu Falaschi, de gravar um álbum estritamente pessoal com canções influenciadas por seus artistas favoritos, que vão da música pop até o heavy metal. O début conta com participação de músicos famosos do rock pesado amigos do vocalista. Contudo o disco, inicialmente despretensioso, alcançou notório prestigio entre os fãs de metal ficando bem colocado até no difícil mercado alemão. Em síntese, Edu Falaschi percebeu que o seu projeto solo poderia ser algo maior, isto é, se tornar uma banda.

CapaSe a gravação do primeiro  álbum foi feita simultaneamente com a do último álbum do Angra, o “Aurora Consurgens”, “Fragile Equality” foi produzido nos meses de paralisação do grupo. Inteligentemente, o cantor “recrutou” o seu companheiro de banda, o baixista Felipe Andreoli, para co-produzir o novo álbum juntamente com os guitarristas Marcelo Barbosa (KHALLICE) e Paulo Schroeber, além do baterista Marcelo Moreira (BURNING IN HELL).

A arte gráfica do disco ficou por conta do designer Gustavo Sazes, definitivamente é um trabalho de muito bom gosto. Mescla elementos futuristas e um cenário rochoso bastante sombrio, predominando a utilização de tons escuros. Além disso, Edu Falaschi produziu um mangá (histórias em quadrinhos no estilo japonês) que será lançado junto com a versão karaokê do álbum.

Em relação à sonoridade da obra, podemos observar relevante evolução comparando-o com o de estréia. Isso acontece, em razão, da significativa mudança na proposta da banda de criar algo no formato de banda e também pelo conceito do disco. Se “Almah” foi a exposição pessoal e emocional de Edu Falaschi, “Fragile Equality” representa de modo singular, o seu talento como compositor e músico que transcende o simples metal melódico.

O novo trabalho, essencialmente, consiste em faixas extremamente melódicas, caracterizadas pelo power metal europeu, suntuosas baladas (para delírio das garotas), elementos da música brasileira e flertes com o thrash metal. Thrash metal, no qual a banda apresenta grande competência, incorporando influências melódicas nos refrões. Realmente interessante. Ainda em relação a sonoridade, a banda, analogamente, aderiu o conceito da obra com a diversidade de gêneros musicais contidas em suas faixas gerando certo “equilíbrio” nas canções, ou seja, o ouvinte não irá apreciar apenas faixas calcadas no metal melódico, mas sim, contemplará diferentes gêneros dentro do rock pesado.

As letras, como em todo trabalho conceitual, são escritas dentro de certos limites estabelecidos na escolha da temática. Praticamente todas trazem em seu conteúdo alusões ao equilíbrio, ou a perda dele.

Abaixo a tradicional análise música por música:

01- Birds Of Prey (04:46): Empolgante, densa e inspirada. A escolha perfeita para iniciar o álbum, “Birds Of Prey” é extraordinariamente rápida e possui um refrão poderoso demonstrando o quanto a banda está entrosada. O vocal melódico de Edu Falaschi combina perfeitamente com os riffs pesados deste belo trabalho de guitarras na música. Magnificente.

02 – Beyond Tomorrow (04:04): Esta faixa traz grande influência dos finlandeses do Nightwish, tanto nas orquestrações como nas guitarras. Foi habilmente, escolhida para a gravação do primeiro videoclipe da banda, em razão, de apresentar a sonoridade proposta pela banda neste álbum. É uma ótima música, porém não é minha predileta.

03 – Magic Flame (03:32): Basicamente, “Magic Flame” é a faixa “Keeper of Seven Keys” deste álbum. Impetuosamente rápida, refrões grudentos e melodia alegre. Não tenho dúvida, que será bem recebida nos shows da banda. Malgrado não está entre as melhores.

04 – All I Am (04:41): A primeira das duas baladas do disco, “All I Am” tem grande potencial radiofônico. Teclados bem executados e junção entre riffs precisos e bela melodia tocada no violão. Contudo, o grande destaque é Edu Falaschi, que transmite bastante angústia em suas linhas vocais na música inteira, verdadeiramente, interpretando-a. Excelente.

05 – You’ll Understand (06:04): A música que acalmou o ânimo dos fãs ávidos por novidades. Disponibilizada no MySpace da banda como primeiro single, se tornou imediatamente uma das preferidas. “You’ll Understand” começa com trovões e introdução com um teclado bem “ingênuo” para depois explodir com guitarras pesadas. Edu “brinca” com a sua extensão vocal utilizando drives e culminando em um refrão sombrio, porém, sem se esquecer da melodia. Justifica por que motivo canta na maior banda de Heavy Metal do país. Em síntese, a faixa é complexa, soturna e brilhante.

06 – Invisible Cage (05:46): Como de costume, os famosos elementos brasileiros que o Angra popularizou e incorpora ao seu som até os dia hodiernos, estão todos centralizados nesta faixa. A única que não gostei, pois, diverge substancialmente da proposta que a banda estava apresentando. Talvez ficasse bem como faixa bônus.

07 – Fragile Equality (03:48): Depois do oceano de serenidade de “Invisible Cage”, a banda expõe um petardo bem thrash metal. Com a responsabilidade de ser a faixa-título, “Fragile Equality” não decepciona, muito pelo contrário. É a perfeita antítese da anterior, pois é extremamente pesada e empolgante. Os vocais lembram muito James Hetfeid, do Metallica durante os versos, entretanto no refrão, se modificam se tornando bem melódicos. Grandes trabalhos de guitarras, baixo e bateria demonstrando que a banda não se limita apenas ao seu vocalista. É impressionante o quanto estes músicos são virtuosos.

08 – Torn (04:42): Considero “Torn” a seqüencia de “Fragile Equality” ou “Fragile Equality part II: The Revenge”. Brincadeiras a parte, a música segue o estilo da anterior, riffs pesados combinados com refrão bastante melódicos, porém, menos rápida. Mais uma ótima música.

09 – Shade Of My Soul (04:59): Simplesmente o apogeu do álbum. A segunda balada é verdadeiramente muito inspirada, sendo incrivelmente superior a maioria das baladas compostas no Heavy Metal. “Shade Of My Soul” é ligeiramente depressiva e repleta de emoção. A letra e melodia são grandiosas e a atuação de Edu Falaschi não se limita a somente cantar, mas novamente a interpretar a canção de modo único. A melhor do álbum e do Almah.

10 – Meaningless World (04:49): Faixa muito interessante. As orquestrações estilo Rhapsody of Fire criam uma agradável atmosfera épica na música. É adequadamente rápida, baseada no chamado power metal sinfônico praticado por diversas bandas. O andamento dela combina perfeitamente com os vocais agudos de Edu Falaschi. Excelente faixa, atualmente, sendo uma das melhores já produzidas neste gênero.

“Fragile Equality” somente confirma a expectativa dos fãs que o aguardavam: trata-se de uma grande obra produzida por respeitáveis músicos que orgulham o cenário heavy metal nacional. Criada sob um contexto de “crise” na música pesada e desnecessárias desavenças entre bandas no país, o Almah consolidou seu álbum como principal lançamento de 2008 e seu nome no rol dos principais grupos do país.

Nota: 8.8/10

Formação atual:
Edu Falaschi – Vocal
Marcelo Barbosa – Guitarra
Paulo Schroeber – Guitarra
Felipe Andreoli – Baixo
Marcelo Moreira – Bateria

Mais informações:
Site Oficial: http://www.almah.com.br
MySpace: http://www.myspace.com/almahedufalaschi
Fan Club Oficial: http://www.almahfanclub.com

Videoclipe de “Beyond Tomorrow”



Blog Metal Play

fevereiro 3, 2009

Seja bem vindo ao Blog Metal Play, aqui você irá encontrar resenhas de lançamentos, textos interessantes e alguns devaneios que irei publicar sobre Rock e Heavy Metal em geral.

Sinta-se à vontade para comentar. 🙂