Adagio – Archangels In Black

fevereiro 7, 2009

Antes de tudo irei resenhar esse novo álbum do Adagio sem nenhuma comparação com os anteriores. Os fãs de metal precisam entender que as bandas procuram adequar sua sonoridade de acordo com a evolução dos músicos, alterações na formação e até necessidade de mercado (caso que não acredito ser o do Adagio).


Adagio-AIBOs apreciadores do interessante metal progressivo que a banda fazia anteriormente certamente irão ficar surpresos. Essencialmente, este álbum é a mescla pesada entre metal progressivo, melódico e gótico. Sim, gótico. Caracterizado por seus teclados soturnos típicos, tonalidade depressiva e vocal gutural, se torna bastante presente neste álbum.

A respeito do novo vocalista da banda, o finlandês Christian Palin, visto com desconfiança por alguns fãs em função de seus trabalhos anteriores, definitivamente, provou que é um talentoso vocalista. Seu desempenho é ótimo. Tem um estilo singular, extremamente versátil variando desde o melódico até o gutural. Porém não fez um trabalho realmente brilhante, talvez pelas linhas vocais pouco inspiradas de algumas músicas.

“Archangels in Black” possui uma temática sombria. As letras tratam de temas obscuros como vampirismo, por exemplo. O guitarrista da banda e co-produtor do álbum Stéphan Forte afirmou no site oficial da banda o seguinte sobre o conceito do álbum: “Darkness is a concept with many branches, often misunderstood from outside, but elemental for some kind” [Escuridão é um conceito com muitos ramos, muitas vezes mal compreendida a partir de fora, mas por algum tipo elementar].

Há algum tempo não observava uma capa que demonstrasse exatamente a proposta das músicas. Podemos notar três anjos sofrendo e se contorcendo banhados de sangue com algumas dezenas de aves de rapina cercando-os. O artista responsável pelo design gráfico se chama Guilherme Sevens. Realmente muito interessante.
Vamos para o que realmente interessa… as novas músicas da banda. Suponho que a melhor maneira de resenhar um disco é o tradicional música por música. Confira abaixo a relação das músicas e a minha opinião sobre elas:

01 – Vamphyri (04:27): A faixa mais pesada da obra. Seus riffs iniciais estabelecem a atmosfera soturna deste trabalho. Contêm todos aqueles elementos que caracterizam as faixas de abertura das bandas de metal, principalmente melódico, como a rapidez e um refrão bem marcante. Os vocais beiram o gutural, extremamente agressivos flertando com a melodia. Poderia a priori ser single. Excelente faixa.

02 – The Astral Pathway (05:04): Como o título sugere a banda experimenta um tema místico nesta música mais cadenciada, porém ainda rápida. Trata-se de uma boa faixa, com solo inspirado e teclados bem executados, porém, não é uma das melhores do álbum.

03 – Fear Circus (03:59): Foi a escolhida para o clipe promocional da banda. O vídeo é uma conjunção performance da banda e cenário virtual típico de algumas bandas de power metal (Hammerfall, por exemplo), entretanto, gostei dele. Saindo um pouco do tópico, não consigo entender algumas bandas que gravam clipes tão simplórios e não criativos com apenas a sua performance em playback. Voltando a “Fear Circus”, considero a escolha da música no mínimo equivocada para o clipe, pois, não é comercialmente adequada, ou seja, uma balada, nem transmite o clima sombrio do disco.

04 – Undead (04:41): Faixa cadenciada com um belo solo de Stéphan. Seria mediana se não fosse pela utilização dos vocais guturais contrastando com os mais tradicionais.

05 – Archangels In Black (05:37): Como de costume, a tradicional faixa-título. “Archangels In Black” não é menos do que grandiosa. Teclados que expõe requinte, riffs pesados e densos, vocais angustiados e refrão poderoso. Sintetiza bem o álbum, possui todos os elementos dele, com exceção dos vocais guturais. Magnificente.

06 – The Fifth Ankh (04:43): Genericamente “The Fifth Ankh” é bem agressiva, sombria e enigmática. Infelizmente o Adagio investiu em uma estrutura padrão para algumas músicas, definitivamente, houve certa limitação nas experimentações. Malgrado a faixa é ótima.

07 – Codex Oscura (09:08): Faixa bem cadenciada. Traz a oposição entre riffs pesados e um trecho mais suave e melancólico estruturado pelo teclado seguido de um solo. Não obstante os seus nove minutos, não a considero como uma faixa grandiosa ou épica, porém, é inegável que é distinta.

08 – Twilight At Dawn (06:24): Assim como “Vamphyri” é uma excelente faixa. Rápida, extrema e suntuosa, definitivamente, uma das mais interessantes de “Archangels In Black”. Considero as canções rápidas do Adagio sempre empolgantes, questiono a razão da banda não ter explorado mais esse estilo no referido álbum.

09 – Getsu Senshi (03:42): Destoante das outras faixas, contudo, prende a atenção de quem ouve com o seu belo refrão. “Getsu Senshi” me lembra algumas músicas do Sonata Arctica, principalmente os teclados. A única que não gostei, talvez porque se desviou da temática do disco.

Portanto “Archangels In Black” não é a revolução musical, principalmente no metal melódico, da qual os críticos tanto anseiam. Consiste em um álbum diferente do que a banda anteriormente produziu, propondo algo novo na história do grupo. Os músicos mais uma vez fundamentam o seu papel como o principal banda do gênero da França.

Nota: 7,6/10

Formação atual:

Guitarras – Stéphan Forté
Teclados – Kevin Codfert
Baixo – Franck Hermanny
Bateria – Eric Lebailly
Vocal – Christian Palin

Masterização: Björn Engelmann (RAMMSTEIN, MESHUGGAH)

Mais informações:

Site Official: www.adagio-online.com/
MySpace: www.myspace.com/adagioofficial

Videoclipe de “Fear Circus”

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Edguy – Tinnitus Sanctus

fevereiro 6, 2009

Em “Rocket Ride”, o Edguy consolidou o seu novo estilo de composição, isto é, unir o tradicional power metal, hard rock oitentista e pitadas de humor sarcástico nas letras. Apesar do desprezo de alguns fãs pelo álbum, considero como o melhor (e mais engraçado) da banda. Ao passo que “Tinnitus Sanctus” apresenta uma sonoridade mais pesada – e com todos os elementos do antecessor -, porém, semelhante ao que foi proposto no “The Scarecrow” do Avantasia.

edguy_tinnitusSem a clássica introdução épica utilizada por todas as bandas de power metal do universo, a primeira faixa é uma das mais pesadas da carreira do grupo. “Ministry Of Saints” (primeiro single) tem os melhores riffs e refrões, além da atuação inspirada de Tobias Sammet. O videoclipe dela também é interessante, apesar de não ser bem humorado. Infelizmente abdicando da grande característica da banda.

Os fãs mais conservadores da banda, certamente, irão apreciar o sarcasmo presente em “Sex Fire Religion” e “The Pride Of Creation”. Esta consiste no power metal bem executado e repleto de humor dos álbuns mais antigos, enquanto aquela é estruturada num competente hard rock. “Nine Lives” nos remete a tonalidade do auto-biográfico “The Scarecrow”.

Ao lado de “Ministry Of Saints” considero “Wake Up Dreaming Black” e “Dragonfly” as melhores do álbum. Estas músicas são as que mostram maior qualidade dessa “nova” proposta do Edguy. Os riffs pesados combinam bastante com o lirismo proposto por Sammet nas composições, principalmente nesta última, que apresenta alguns elementos mais épicos.

“Thorn Without A Rose” é uma semi-balada que destoa do resto do álbum, entretanto, longe de ser das mais belas produzidas pela banda. “9-2-9” e “Dead or Rock” não chegam a impressionar com suas influências hard rock. “Speedhoven” apresenta aproximação com os primeiros trabalhos do Avantasia, sendo uma ótima música.

Destaque merece “Aren’t You A Little Pervert Too”, em razão, de indiscutivelmente, ser extremamente original. Seu humor é bastante ousado e sua sonoridade é algo como country e blues rock com o vocal irônico de Tobias Sammet.

Antes de seu lançamento, o carismático líder do grupo declarou que este álbum seria o responsável pelo ingresso da banda ao hall da fama, ao lado de Led Zepelin, Black Sabbath e AC/DC. Trata-se de mais um bom álbum, porém, não será “Tinnitus Sanctus” que irá fazer o Edguy ecoar pela eternidade.

Nota: 8.0/10

2008 – Nuclear Blast
Faixas:
01. Ministry Of Saints
02. Sex Fire Religion
03. The Pride Of Creation
04. Nine Lives
05. Wake Up Dreaming Black
06. Dragonfly
07. Thorn Without A Rose
08. 9-2-9
09. Speedhoven
10. Dead Or Rock
11. Aren’t You A Little Pervert Too

Mais Informações:
Site Oficial: http://www.edguy.net
MySpace: http://www.myspace.com/edguy
Fan Site brasileiro: http://www.edguy.com.br

Videoclipe de “Ministry Of Saints”


Almah – Fragile Equality

fevereiro 4, 2009

O Almah surgiu em função vontade do carismático cantor do Angra, Edu Falaschi, de gravar um álbum estritamente pessoal com canções influenciadas por seus artistas favoritos, que vão da música pop até o heavy metal. O début conta com participação de músicos famosos do rock pesado amigos do vocalista. Contudo o disco, inicialmente despretensioso, alcançou notório prestigio entre os fãs de metal ficando bem colocado até no difícil mercado alemão. Em síntese, Edu Falaschi percebeu que o seu projeto solo poderia ser algo maior, isto é, se tornar uma banda.

CapaSe a gravação do primeiro  álbum foi feita simultaneamente com a do último álbum do Angra, o “Aurora Consurgens”, “Fragile Equality” foi produzido nos meses de paralisação do grupo. Inteligentemente, o cantor “recrutou” o seu companheiro de banda, o baixista Felipe Andreoli, para co-produzir o novo álbum juntamente com os guitarristas Marcelo Barbosa (KHALLICE) e Paulo Schroeber, além do baterista Marcelo Moreira (BURNING IN HELL).

A arte gráfica do disco ficou por conta do designer Gustavo Sazes, definitivamente é um trabalho de muito bom gosto. Mescla elementos futuristas e um cenário rochoso bastante sombrio, predominando a utilização de tons escuros. Além disso, Edu Falaschi produziu um mangá (histórias em quadrinhos no estilo japonês) que será lançado junto com a versão karaokê do álbum.

Em relação à sonoridade da obra, podemos observar relevante evolução comparando-o com o de estréia. Isso acontece, em razão, da significativa mudança na proposta da banda de criar algo no formato de banda e também pelo conceito do disco. Se “Almah” foi a exposição pessoal e emocional de Edu Falaschi, “Fragile Equality” representa de modo singular, o seu talento como compositor e músico que transcende o simples metal melódico.

O novo trabalho, essencialmente, consiste em faixas extremamente melódicas, caracterizadas pelo power metal europeu, suntuosas baladas (para delírio das garotas), elementos da música brasileira e flertes com o thrash metal. Thrash metal, no qual a banda apresenta grande competência, incorporando influências melódicas nos refrões. Realmente interessante. Ainda em relação a sonoridade, a banda, analogamente, aderiu o conceito da obra com a diversidade de gêneros musicais contidas em suas faixas gerando certo “equilíbrio” nas canções, ou seja, o ouvinte não irá apreciar apenas faixas calcadas no metal melódico, mas sim, contemplará diferentes gêneros dentro do rock pesado.

As letras, como em todo trabalho conceitual, são escritas dentro de certos limites estabelecidos na escolha da temática. Praticamente todas trazem em seu conteúdo alusões ao equilíbrio, ou a perda dele.

Abaixo a tradicional análise música por música:

01- Birds Of Prey (04:46): Empolgante, densa e inspirada. A escolha perfeita para iniciar o álbum, “Birds Of Prey” é extraordinariamente rápida e possui um refrão poderoso demonstrando o quanto a banda está entrosada. O vocal melódico de Edu Falaschi combina perfeitamente com os riffs pesados deste belo trabalho de guitarras na música. Magnificente.

02 – Beyond Tomorrow (04:04): Esta faixa traz grande influência dos finlandeses do Nightwish, tanto nas orquestrações como nas guitarras. Foi habilmente, escolhida para a gravação do primeiro videoclipe da banda, em razão, de apresentar a sonoridade proposta pela banda neste álbum. É uma ótima música, porém não é minha predileta.

03 – Magic Flame (03:32): Basicamente, “Magic Flame” é a faixa “Keeper of Seven Keys” deste álbum. Impetuosamente rápida, refrões grudentos e melodia alegre. Não tenho dúvida, que será bem recebida nos shows da banda. Malgrado não está entre as melhores.

04 – All I Am (04:41): A primeira das duas baladas do disco, “All I Am” tem grande potencial radiofônico. Teclados bem executados e junção entre riffs precisos e bela melodia tocada no violão. Contudo, o grande destaque é Edu Falaschi, que transmite bastante angústia em suas linhas vocais na música inteira, verdadeiramente, interpretando-a. Excelente.

05 – You’ll Understand (06:04): A música que acalmou o ânimo dos fãs ávidos por novidades. Disponibilizada no MySpace da banda como primeiro single, se tornou imediatamente uma das preferidas. “You’ll Understand” começa com trovões e introdução com um teclado bem “ingênuo” para depois explodir com guitarras pesadas. Edu “brinca” com a sua extensão vocal utilizando drives e culminando em um refrão sombrio, porém, sem se esquecer da melodia. Justifica por que motivo canta na maior banda de Heavy Metal do país. Em síntese, a faixa é complexa, soturna e brilhante.

06 – Invisible Cage (05:46): Como de costume, os famosos elementos brasileiros que o Angra popularizou e incorpora ao seu som até os dia hodiernos, estão todos centralizados nesta faixa. A única que não gostei, pois, diverge substancialmente da proposta que a banda estava apresentando. Talvez ficasse bem como faixa bônus.

07 – Fragile Equality (03:48): Depois do oceano de serenidade de “Invisible Cage”, a banda expõe um petardo bem thrash metal. Com a responsabilidade de ser a faixa-título, “Fragile Equality” não decepciona, muito pelo contrário. É a perfeita antítese da anterior, pois é extremamente pesada e empolgante. Os vocais lembram muito James Hetfeid, do Metallica durante os versos, entretanto no refrão, se modificam se tornando bem melódicos. Grandes trabalhos de guitarras, baixo e bateria demonstrando que a banda não se limita apenas ao seu vocalista. É impressionante o quanto estes músicos são virtuosos.

08 – Torn (04:42): Considero “Torn” a seqüencia de “Fragile Equality” ou “Fragile Equality part II: The Revenge”. Brincadeiras a parte, a música segue o estilo da anterior, riffs pesados combinados com refrão bastante melódicos, porém, menos rápida. Mais uma ótima música.

09 – Shade Of My Soul (04:59): Simplesmente o apogeu do álbum. A segunda balada é verdadeiramente muito inspirada, sendo incrivelmente superior a maioria das baladas compostas no Heavy Metal. “Shade Of My Soul” é ligeiramente depressiva e repleta de emoção. A letra e melodia são grandiosas e a atuação de Edu Falaschi não se limita a somente cantar, mas novamente a interpretar a canção de modo único. A melhor do álbum e do Almah.

10 – Meaningless World (04:49): Faixa muito interessante. As orquestrações estilo Rhapsody of Fire criam uma agradável atmosfera épica na música. É adequadamente rápida, baseada no chamado power metal sinfônico praticado por diversas bandas. O andamento dela combina perfeitamente com os vocais agudos de Edu Falaschi. Excelente faixa, atualmente, sendo uma das melhores já produzidas neste gênero.

“Fragile Equality” somente confirma a expectativa dos fãs que o aguardavam: trata-se de uma grande obra produzida por respeitáveis músicos que orgulham o cenário heavy metal nacional. Criada sob um contexto de “crise” na música pesada e desnecessárias desavenças entre bandas no país, o Almah consolidou seu álbum como principal lançamento de 2008 e seu nome no rol dos principais grupos do país.

Nota: 8.8/10

Formação atual:
Edu Falaschi – Vocal
Marcelo Barbosa – Guitarra
Paulo Schroeber – Guitarra
Felipe Andreoli – Baixo
Marcelo Moreira – Bateria

Mais informações:
Site Oficial: http://www.almah.com.br
MySpace: http://www.myspace.com/almahedufalaschi
Fan Club Oficial: http://www.almahfanclub.com

Videoclipe de “Beyond Tomorrow”