Adagio – Archangels In Black

Antes de tudo irei resenhar esse novo álbum do Adagio sem nenhuma comparação com os anteriores. Os fãs de metal precisam entender que as bandas procuram adequar sua sonoridade de acordo com a evolução dos músicos, alterações na formação e até necessidade de mercado (caso que não acredito ser o do Adagio).


Adagio-AIBOs apreciadores do interessante metal progressivo que a banda fazia anteriormente certamente irão ficar surpresos. Essencialmente, este álbum é a mescla pesada entre metal progressivo, melódico e gótico. Sim, gótico. Caracterizado por seus teclados soturnos típicos, tonalidade depressiva e vocal gutural, se torna bastante presente neste álbum.

A respeito do novo vocalista da banda, o finlandês Christian Palin, visto com desconfiança por alguns fãs em função de seus trabalhos anteriores, definitivamente, provou que é um talentoso vocalista. Seu desempenho é ótimo. Tem um estilo singular, extremamente versátil variando desde o melódico até o gutural. Porém não fez um trabalho realmente brilhante, talvez pelas linhas vocais pouco inspiradas de algumas músicas.

“Archangels in Black” possui uma temática sombria. As letras tratam de temas obscuros como vampirismo, por exemplo. O guitarrista da banda e co-produtor do álbum Stéphan Forte afirmou no site oficial da banda o seguinte sobre o conceito do álbum: “Darkness is a concept with many branches, often misunderstood from outside, but elemental for some kind” [Escuridão é um conceito com muitos ramos, muitas vezes mal compreendida a partir de fora, mas por algum tipo elementar].

Há algum tempo não observava uma capa que demonstrasse exatamente a proposta das músicas. Podemos notar três anjos sofrendo e se contorcendo banhados de sangue com algumas dezenas de aves de rapina cercando-os. O artista responsável pelo design gráfico se chama Guilherme Sevens. Realmente muito interessante.
Vamos para o que realmente interessa… as novas músicas da banda. Suponho que a melhor maneira de resenhar um disco é o tradicional música por música. Confira abaixo a relação das músicas e a minha opinião sobre elas:

01 – Vamphyri (04:27): A faixa mais pesada da obra. Seus riffs iniciais estabelecem a atmosfera soturna deste trabalho. Contêm todos aqueles elementos que caracterizam as faixas de abertura das bandas de metal, principalmente melódico, como a rapidez e um refrão bem marcante. Os vocais beiram o gutural, extremamente agressivos flertando com a melodia. Poderia a priori ser single. Excelente faixa.

02 – The Astral Pathway (05:04): Como o título sugere a banda experimenta um tema místico nesta música mais cadenciada, porém ainda rápida. Trata-se de uma boa faixa, com solo inspirado e teclados bem executados, porém, não é uma das melhores do álbum.

03 – Fear Circus (03:59): Foi a escolhida para o clipe promocional da banda. O vídeo é uma conjunção performance da banda e cenário virtual típico de algumas bandas de power metal (Hammerfall, por exemplo), entretanto, gostei dele. Saindo um pouco do tópico, não consigo entender algumas bandas que gravam clipes tão simplórios e não criativos com apenas a sua performance em playback. Voltando a “Fear Circus”, considero a escolha da música no mínimo equivocada para o clipe, pois, não é comercialmente adequada, ou seja, uma balada, nem transmite o clima sombrio do disco.

04 – Undead (04:41): Faixa cadenciada com um belo solo de Stéphan. Seria mediana se não fosse pela utilização dos vocais guturais contrastando com os mais tradicionais.

05 – Archangels In Black (05:37): Como de costume, a tradicional faixa-título. “Archangels In Black” não é menos do que grandiosa. Teclados que expõe requinte, riffs pesados e densos, vocais angustiados e refrão poderoso. Sintetiza bem o álbum, possui todos os elementos dele, com exceção dos vocais guturais. Magnificente.

06 – The Fifth Ankh (04:43): Genericamente “The Fifth Ankh” é bem agressiva, sombria e enigmática. Infelizmente o Adagio investiu em uma estrutura padrão para algumas músicas, definitivamente, houve certa limitação nas experimentações. Malgrado a faixa é ótima.

07 – Codex Oscura (09:08): Faixa bem cadenciada. Traz a oposição entre riffs pesados e um trecho mais suave e melancólico estruturado pelo teclado seguido de um solo. Não obstante os seus nove minutos, não a considero como uma faixa grandiosa ou épica, porém, é inegável que é distinta.

08 – Twilight At Dawn (06:24): Assim como “Vamphyri” é uma excelente faixa. Rápida, extrema e suntuosa, definitivamente, uma das mais interessantes de “Archangels In Black”. Considero as canções rápidas do Adagio sempre empolgantes, questiono a razão da banda não ter explorado mais esse estilo no referido álbum.

09 – Getsu Senshi (03:42): Destoante das outras faixas, contudo, prende a atenção de quem ouve com o seu belo refrão. “Getsu Senshi” me lembra algumas músicas do Sonata Arctica, principalmente os teclados. A única que não gostei, talvez porque se desviou da temática do disco.

Portanto “Archangels In Black” não é a revolução musical, principalmente no metal melódico, da qual os críticos tanto anseiam. Consiste em um álbum diferente do que a banda anteriormente produziu, propondo algo novo na história do grupo. Os músicos mais uma vez fundamentam o seu papel como o principal banda do gênero da França.

Nota: 7,6/10

Formação atual:

Guitarras – Stéphan Forté
Teclados – Kevin Codfert
Baixo – Franck Hermanny
Bateria – Eric Lebailly
Vocal – Christian Palin

Masterização: Björn Engelmann (RAMMSTEIN, MESHUGGAH)

Mais informações:

Site Official: www.adagio-online.com/
MySpace: www.myspace.com/adagioofficial

Videoclipe de “Fear Circus”

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One Response to Adagio – Archangels In Black

  1. Yugo disse:

    Muito interessante sua resenho e concordo plenamente em analisar cada album por si proprio, pois todos mudam para o bom ou para o ruim, eu particularmente achei que o adagio mudou para o bom nesse novo album, vou continuar acompanhando seu blog abraços.

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