Almah – Fragile Equality

O Almah surgiu em função vontade do carismático cantor do Angra, Edu Falaschi, de gravar um álbum estritamente pessoal com canções influenciadas por seus artistas favoritos, que vão da música pop até o heavy metal. O début conta com participação de músicos famosos do rock pesado amigos do vocalista. Contudo o disco, inicialmente despretensioso, alcançou notório prestigio entre os fãs de metal ficando bem colocado até no difícil mercado alemão. Em síntese, Edu Falaschi percebeu que o seu projeto solo poderia ser algo maior, isto é, se tornar uma banda.

CapaSe a gravação do primeiro  álbum foi feita simultaneamente com a do último álbum do Angra, o “Aurora Consurgens”, “Fragile Equality” foi produzido nos meses de paralisação do grupo. Inteligentemente, o cantor “recrutou” o seu companheiro de banda, o baixista Felipe Andreoli, para co-produzir o novo álbum juntamente com os guitarristas Marcelo Barbosa (KHALLICE) e Paulo Schroeber, além do baterista Marcelo Moreira (BURNING IN HELL).

A arte gráfica do disco ficou por conta do designer Gustavo Sazes, definitivamente é um trabalho de muito bom gosto. Mescla elementos futuristas e um cenário rochoso bastante sombrio, predominando a utilização de tons escuros. Além disso, Edu Falaschi produziu um mangá (histórias em quadrinhos no estilo japonês) que será lançado junto com a versão karaokê do álbum.

Em relação à sonoridade da obra, podemos observar relevante evolução comparando-o com o de estréia. Isso acontece, em razão, da significativa mudança na proposta da banda de criar algo no formato de banda e também pelo conceito do disco. Se “Almah” foi a exposição pessoal e emocional de Edu Falaschi, “Fragile Equality” representa de modo singular, o seu talento como compositor e músico que transcende o simples metal melódico.

O novo trabalho, essencialmente, consiste em faixas extremamente melódicas, caracterizadas pelo power metal europeu, suntuosas baladas (para delírio das garotas), elementos da música brasileira e flertes com o thrash metal. Thrash metal, no qual a banda apresenta grande competência, incorporando influências melódicas nos refrões. Realmente interessante. Ainda em relação a sonoridade, a banda, analogamente, aderiu o conceito da obra com a diversidade de gêneros musicais contidas em suas faixas gerando certo “equilíbrio” nas canções, ou seja, o ouvinte não irá apreciar apenas faixas calcadas no metal melódico, mas sim, contemplará diferentes gêneros dentro do rock pesado.

As letras, como em todo trabalho conceitual, são escritas dentro de certos limites estabelecidos na escolha da temática. Praticamente todas trazem em seu conteúdo alusões ao equilíbrio, ou a perda dele.

Abaixo a tradicional análise música por música:

01- Birds Of Prey (04:46): Empolgante, densa e inspirada. A escolha perfeita para iniciar o álbum, “Birds Of Prey” é extraordinariamente rápida e possui um refrão poderoso demonstrando o quanto a banda está entrosada. O vocal melódico de Edu Falaschi combina perfeitamente com os riffs pesados deste belo trabalho de guitarras na música. Magnificente.

02 – Beyond Tomorrow (04:04): Esta faixa traz grande influência dos finlandeses do Nightwish, tanto nas orquestrações como nas guitarras. Foi habilmente, escolhida para a gravação do primeiro videoclipe da banda, em razão, de apresentar a sonoridade proposta pela banda neste álbum. É uma ótima música, porém não é minha predileta.

03 – Magic Flame (03:32): Basicamente, “Magic Flame” é a faixa “Keeper of Seven Keys” deste álbum. Impetuosamente rápida, refrões grudentos e melodia alegre. Não tenho dúvida, que será bem recebida nos shows da banda. Malgrado não está entre as melhores.

04 – All I Am (04:41): A primeira das duas baladas do disco, “All I Am” tem grande potencial radiofônico. Teclados bem executados e junção entre riffs precisos e bela melodia tocada no violão. Contudo, o grande destaque é Edu Falaschi, que transmite bastante angústia em suas linhas vocais na música inteira, verdadeiramente, interpretando-a. Excelente.

05 – You’ll Understand (06:04): A música que acalmou o ânimo dos fãs ávidos por novidades. Disponibilizada no MySpace da banda como primeiro single, se tornou imediatamente uma das preferidas. “You’ll Understand” começa com trovões e introdução com um teclado bem “ingênuo” para depois explodir com guitarras pesadas. Edu “brinca” com a sua extensão vocal utilizando drives e culminando em um refrão sombrio, porém, sem se esquecer da melodia. Justifica por que motivo canta na maior banda de Heavy Metal do país. Em síntese, a faixa é complexa, soturna e brilhante.

06 – Invisible Cage (05:46): Como de costume, os famosos elementos brasileiros que o Angra popularizou e incorpora ao seu som até os dia hodiernos, estão todos centralizados nesta faixa. A única que não gostei, pois, diverge substancialmente da proposta que a banda estava apresentando. Talvez ficasse bem como faixa bônus.

07 – Fragile Equality (03:48): Depois do oceano de serenidade de “Invisible Cage”, a banda expõe um petardo bem thrash metal. Com a responsabilidade de ser a faixa-título, “Fragile Equality” não decepciona, muito pelo contrário. É a perfeita antítese da anterior, pois é extremamente pesada e empolgante. Os vocais lembram muito James Hetfeid, do Metallica durante os versos, entretanto no refrão, se modificam se tornando bem melódicos. Grandes trabalhos de guitarras, baixo e bateria demonstrando que a banda não se limita apenas ao seu vocalista. É impressionante o quanto estes músicos são virtuosos.

08 – Torn (04:42): Considero “Torn” a seqüencia de “Fragile Equality” ou “Fragile Equality part II: The Revenge”. Brincadeiras a parte, a música segue o estilo da anterior, riffs pesados combinados com refrão bastante melódicos, porém, menos rápida. Mais uma ótima música.

09 – Shade Of My Soul (04:59): Simplesmente o apogeu do álbum. A segunda balada é verdadeiramente muito inspirada, sendo incrivelmente superior a maioria das baladas compostas no Heavy Metal. “Shade Of My Soul” é ligeiramente depressiva e repleta de emoção. A letra e melodia são grandiosas e a atuação de Edu Falaschi não se limita a somente cantar, mas novamente a interpretar a canção de modo único. A melhor do álbum e do Almah.

10 – Meaningless World (04:49): Faixa muito interessante. As orquestrações estilo Rhapsody of Fire criam uma agradável atmosfera épica na música. É adequadamente rápida, baseada no chamado power metal sinfônico praticado por diversas bandas. O andamento dela combina perfeitamente com os vocais agudos de Edu Falaschi. Excelente faixa, atualmente, sendo uma das melhores já produzidas neste gênero.

“Fragile Equality” somente confirma a expectativa dos fãs que o aguardavam: trata-se de uma grande obra produzida por respeitáveis músicos que orgulham o cenário heavy metal nacional. Criada sob um contexto de “crise” na música pesada e desnecessárias desavenças entre bandas no país, o Almah consolidou seu álbum como principal lançamento de 2008 e seu nome no rol dos principais grupos do país.

Nota: 8.8/10

Formação atual:
Edu Falaschi – Vocal
Marcelo Barbosa – Guitarra
Paulo Schroeber – Guitarra
Felipe Andreoli – Baixo
Marcelo Moreira – Bateria

Mais informações:
Site Oficial: http://www.almah.com.br
MySpace: http://www.myspace.com/almahedufalaschi
Fan Club Oficial: http://www.almahfanclub.com

Videoclipe de “Beyond Tomorrow”


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